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Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos

Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento

Por Renata Ratton Assessora de Comunicação - Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos
Novos ares?

Com recursos do Cientista do Nosso Estado, Química vai verificar impactos da redução das fontes móveis sobre a qualidade do ar como efeitos da pandemia


A professora Adriana Gioda, do Departamento de Química, foi contemplada no edital Cientista do Nosso Estado, com o projeto Avaliação da qualidade do ar no Rio de Janeiro considerando os efeitos da pandemia e mobilidade urbana. Gioda trabalha com a qualidade do ar desde que ingressou na Universidade, em 2009. "A motivação deste trabalho é que as fontes móveis (frota veicular) influenciam diretamente a qualidade do ar no Rio de Janeiro, e têm uma importância ainda maior que as fontes fixas (indústrias). Como a frota tem mudado devido às novas tecnologias, legislação e combustíveis, consequentemente a qualidade do ar também tem sido alterada. O projeto CNE, de três anos, envolverá alunos de Graduação e Pós-graduação. Esperamos entender como todas as mudanças na mobilidade estão afetando a qualidade do ar", informa a professora.

Filtro contendo partículas coletadas no ar - foto: divulgação Filtro contendo partículas coletadas no ar - foto: divulgação

Gioda e seu grupo já acompanhavam as mudanças devido à COVID-19 pela redução no tráfego. A pandemia e seus impactos foram tema do artigo Assessment of air quality changes during COVID‑19 partial lockdown in a Brazilian metropolis: from lockdown to economic opening of Rio de Janeiro, Brazil, que faz parte da tese de sua orientada. O artigo foi publicado em agosto no Air Quality, Atmosphere & Health journal, da alemã Springer Nature, um trabalho que avaliou as concentrações de ozônio (O3), monóxido de carbono (CO) e material particulado (PM10) e dados meteorológicos recolhidos nas estações de monitoramento da qualidade do ar espalhadas por toda a cidade, considerando as mudanças substanciais na rotina.

Medidor de poluentes em tempo real - foto: divulgação Medidor de poluentes em tempo real - foto: divulgação

O trabalho teve início em março de 2020, quando o bloqueio parcial foi decretado, e foi concluído em setembro de 2020. Em comparação com dados de 2019, a concentração de CO reduziu de forma significativa, como esperado, já que a principal fonte deste poluente é o tráfego veicular. A concentração de O3 aumentou, muito provavelmente como consequência da redução dos poluentes primários. Por outro lado, a concentração de PM10 não variou substancialmente. De junho a setembro, as concentrações de poluentes aumentaram respondendo à abertura econômica. Assim, o bloqueio parcial contribuiu para melhorar a qualidade do ar no Rio de Janeiro.

Amostrador de partículas do ar - foto: divulgação Amostrador de partículas do ar - foto: divulgação

Antes da pandemia, foram feitas avaliações antes, durante e após as Olimpíadas, como parte dos estudos de alunos de mestrado e doutorado, om a colaboração de ex-orientandos. Esse tema gerou vários artigos, entre eles Assessment of Atmospheric PM10 Pollution Levels and Chemical Composition in Urban Areas near the 2016 Olympic Game Arenas, publicado no Journal of the Brazilian Chemical Society e Evaluation of the impact of the Rio 2016 Olympic Games on air quality in the city of Rio de Janeiro, Brazil, publicado na Atmospheric Environment. A greve dos caminhoneiros em 2018 gerou o artigo Evaluation of the impact of the national strike of the road freight transport sector on the air quality of the metropolitan region of Rio de Janeiro, Brazil, publicado no Sustainable Cities and Society journal, da Elsevier. "Tenho uma aluna que está prestes a defender dissertação sobre a queima e fogos no Réveillon de Copacabana", menciona a pesquisadora.

De acordo com Gioda, no geral, as obras civis para reestruturar a cidade e a construção das arenas dos Jogos Olímpicos aumentaram os níveis de alguns poluentes antes de 2016. Durante o período olímpico, os níveis de poluição do ar diminuíram devido à gestão de tráfego. Após as Olimpíadas, as concentrações se mantiveram baixas, em função das políticas governamentais de planejamento de tráfego e finalização de obras civis.

- Com relação à greve dos caminhoneiros, os resultados mostraram uma redução nas emissões totais de poluentes atmosféricos locais, de 22 % a 43 % durante os dias de greve. No entanto, os reflexos da qualidade do ar não foram observados na mesma proporção, ao contrário, foram observados aumentos nas concentrações de alguns poluentes na atmosfera durante paralisação do tráfego nas áreas de estudo, pelas diferentes condições climáticas nos dois períodos, que influenciaram a dispersão de poluentes atmosféricos.




Publicada em: 25/03/2022