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Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos

Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento

Por Renata Ratton Assessora de Comunicação - Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos
Projetos de Arquitetura e Urbanismo, desenvolvidos em parceria com a USP e os departamentos de História e Geografia, recebe financiamento em edital comemorativo da Faperj

Experimento cartográfico-historiográfico vai mapear e tornar visíveis, criticamente, processos de urbanização, territorialização e desterritorialização que permanecem inscritos no chão, em diferentes contextos histórico-culturais e geopolíticos


Atlas do Chão _ Constelação Independente, projeto coordenado pela professora Ana Luiza de Souza Nobre, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, foi contemplado pelo edital Apoio à Editoração e ao Audiovisual Comemorativo do Bicentenário da Independência e do Centenário da Semana de Arte Moderna – 2021, da Faperj. O projeto envolve a edição e publicação, em livro impresso, de uma constelação de 200 pontos relativa ao Bicentenário da Independência dentro do Atlas do Chão, um website em desenvolvimento também com apoio da Faperj, através do Programa Jovem Cientista do Nosso Estado.

Atlas do Chão é um experimento cartográfico-historiográfico concebido como uma plataforma digital, disponível on-line, com o objetivo de mapear e tornar visíveis, criticamente, processos de urbanização, territorialização e desterritorialização que permanecem de algum modo inscritos no chão, em diferentes contextos histórico-culturais e geopolíticos.

– O Atlas foi pensado ao mesmo tempo como um arquivo aberto, i.e, potencialmente infinito, de mapas e um sistema constelar de imagens, assumindo como referência o Atlas Mnemosyne, de Aby Warburg, e a escrita constelar de Walter Benjamin, para de pôr em relação imagens, textos, discursos e lógicas segundo uma perspectiva transversal. Uma perspectiva que subverte a ordem linear e tensiona as formas canônicas da escrita historiográfica para criar uma "máquina de leitura" (Didi-Huberman), que explora caminhos erráticos e investe na multiplicidade, no anacronismo e no hibridismo inerentes à operação de montagem e ao próprio tema em estudo, na sua dimensão polissêmica e interescalar por excelência – conceitua a arquiteta. De acordo com Nobre, o trabalho alinha-se, assim, com a problematização de visões de mundo ligadas a representações do planeta herdadas do mundo europeu, que condicionaram profundamente a maneira de ver, pensar e agir:

– Articula-se também com perspectivas decoloniais que lutam pela reparação histórica de povos silenciados e submetidos a deslocamentos compulsórios, remoções forçadas e dispersão territorial. O projeto perfila-se ainda com pesquisas científicas que têm enfatizado o papel crucial desempenhado pelo solo na mitigação das mudanças climáticas, em consequência da sua capacidade de sequestrar carbono, filtrar e armazenar água e prover outras funções cruciais para o equilíbrio do ecossistema terrestre, representando, incluisve, uma das suas maiores reservas de biodiversidade – salienta a pesquisadora.

Diniz destaca que o Atlas está sendo desenvolvido com o professor David Sperling (Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP), e tem um caráter interdisciplinar. Quanto ao projeto específico da Constelação Independente, conta com a colaboração de dois professores da Universidade: Marcelo Motta, da Geografia, e João Masao Kamita, da História.




Publicada em: 07/12/2021