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Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos

Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento

Por Renata Ratton Assessora de Comunicação - Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos
Caminho sem volta

Webinar Pilotos IoT chega à quarta edição trazendo as transformações digitais na Saúde e no Agronegócio

 

 

O webinar mensal Pilotos IoT, realizado no contexto dos projetos-piloto Conecta Saúde e Campo Conectado, coordenados pela PUC-Rio, chegou a sua quarta edição, no dia 18 de maio, trazendo, mais uma vez, pesquisadores e empresas parceiras para abordar novas tecnologias de informação e comunicação para os hospitais e o campo.

SAÚDE

Soeli Fiorini, da PUC-Rio, coordenadora do Conecta Saúde, abriu o encontro falando sobre a transformação digital na saúde. Utilizando uma linha do tempo, demonstrou o crescente uso de aplicações e plataformas digitais, e a entrada, na área médica, de grandes players como Amazon e Walmart, além da inglesa Babylon. Destacou ainda a valorização cada vez mais forte do bem estar físico e mental e da prevenção como forma de evitar doenças e internações, lembrando sobre a importância de uma gestão holística que irá da saúde da família ao pós-alta.

- No Brasil, a Gympass, unicórnio na área de saúde, promove a adoção de hábitos saudáveis, com foco no bem estar como forma de reduzir a sinistralidade e os custos dos planos de saúde. A gestora de saúde Alice traz não apenas o médico, mas um time de fisioterapeutas e preparadores físicos que pretendem mudar a forma como as pessoas lidam com corpo e mente, citou. De acordo com ela, há um cardápio de tecnologias emergentes capazes de potencializar, criar e transformar o ambiente, desde blockchain, realidade aumentada, IA, robótica, muitas delas já aplicadas à saúde.

- A Covid 19 também acelerou muito a utilização da tecnologia, por meio da telemedicina; de acordo com um estudo do cetic.br, publicado recentemente, 1/5 dos usuários de internet com mais de 16 anos utilizou serviços de teleconsultas ou visualização de exames; algumas plataformas de telemedicina já registram mais de um milhão de consultas por vídeo. Por outro lado, a pesquisa mostra que ainda existe, por parte de muitos usuários, medo e dificuldade em utilizar os serviços, falta de confiança na internet e na própria consulta, além da preocupação com a segurança de dados pessoais. Ainda é necessário trabalhar a literacia digital.

A pesquisadora sinalizou sobre a necessidade de preocupação com as pessoas e os processos, criando uma cultura para a inovação, mudando o mindset para agilidade, para o novo. De acordo com a gerente, os centros de inovação das empresas estão fazendo esse papel, mas, às vezes, as grandes empresas precisam recorrer às startups, assim como aos hubs de inovação, criando um ecossistema que as apoie em ganhos de agilidade, eficiência, na redução de custos, e na geração de melhores experiências para os usuários. "Tudo isso para chegar à transformação de impacto, olhando para os processos de forma a ofertar melhores serviços, melhores produtos, bem como a realizar uma reengenharia de tal forma que tudo o que a empresa fizer tenha o propósito de gerar valor ao cliente, ao paciente, ao usuário, ao médico".

Para a coordenadora, essas soluções vão apoiar saúde 4.0, com os propósitos de atendimento humanizado, prestação de serviços a distância, redução de taxas de mortalidade, melhor controle de acessos de pacientes, familiares e profissionais, cirurgias robóticas e da melhoria de produtividade apoiada por dados, alertas, equipamentos, entre muitas outras ferramentas que mudarão o status atual do segmento.

- O futuro nos aponta um controle cada vez maior sendo feito a partir de casas conectadas – assim como as pessoas, via wearables - e integradas a uma rede assistencial de serviços comunitários, garantindo, monitoramento, experiência e desfecho, com a vantagem adicional de um custo assistencial significativamente menor. Já os centros de saúde se voltarão para cuidados críticos e cirurgias que utilizem robótica, para mais precisão, com ambiente hospitalar mais agradável e seguro. Os planos de saúde precisarão se integrar a toda essa dinâmica, fornecendo, de antemão, informações importantes para o atendimento no hospital. O tratamento de pacientes dentro da própria ambulância também será viabilizado com tecnologias de análise e transmissão de dados clínicos ao hospital no trajeto, comentou.

Fiorini citou ainda a tecnologia HooBoox, criada por startup situada no Hospital Albert Einstein, em SP, que realiza reconhecimento facial de pessoas tetraplégicas, através do qual, com uma simples mexida na sobrancelha, é possível fazer uma cadeira de rodas elétrica andar. A startup está calibrando suas câmeras e tecnologias para identificar a dor de um paciente internado em uma UTI.

- A nova onda do 5G chega com geração de infraestrutura e conectividade, e vai ajudar, e muito, a IoT (Internet of Things) – capaz de conectar mais de 1 milhão de dispositivos por km2 – que traz consigo a possibilidade de implantação de sensores de saúde acoplados a uma série de dispositivos como relógios, casacos, óculos. Serão tantos dispositivos conectados e gerando informações que isso transformará a forma como vemos a saúde. Hoje a transformação digital na área da saúde não é só uma onda. É um vulcão em erupção. Há muito a se fazer no sentido de levar o cuidado para dentro de casa, de cuidar da saúde e não apenas da doença, de tornar a saúde digital mais inclusiva, de conectar um mundo ainda desconectado, de definir e rever políticas e leis, de melhorar a experiência do paciente, de humanizar, predizer, personalizar.

Algar - Laura Vilarinho, do Centro de Inovação Brain, braço de inovação do Grupo Algar, deu sequência às apresentações trazendo o Asset Control, estrutura desenvolvida em parceria com a HP Aruba, que utiliza a tecnologia de conectividade para soluções voltadas à saúde. "Acreditamos que essa solução seja o primeiro passo que uma empresa de tecnologia pode colocar em um sistema de saúde", observou.

A solução Algar/HP é implantada na rede corporativa do hospital ou da clínica e utiliza wifi para cobrir o ambiente, permitindo integrar aplicações existentes para abarcar todos os ativos importantes: equipamentos paramétricos, ultrassom portátil, maca, cadeira de rodas, que podem se perder em locais grandes ou precisar de calibragem em outro setor.

- A eficiência no deslocamento de equipamentos pode salvar uma vida, sobretudo em lugares onde a gestão é mais complexa. A localização é feita através de um mapa de calor da planta baixa e disponibilizada em portal cuja interface, customizável, é extremamente simples e intuitiva. Os gadgets desenvolvidos pela HP Aruba são tags do tamanho da moeda de um real e podem ser colocadas em vários dispositivos; por meio da infraestrutura de wifi, é possível gerenciar todos esses ativos e ainda criar uma espécie de cerca virtual, que dispara alerta caso um equipamento saia de sua área restrita. Esse sistema já foi testado por alguns clientes, entre eles o Hospital das Clínicas. De acordo com Vilarinho, o desafio tem sido encontrar espaço para que a otimização de infraestrutura seja percebida como fundamental na hora de salvar vidas.

AGRONEGÓCIO

Briskcom e Khomp - A segunda parte do encontro deu lugar às aplicações para o agronegócio. O CEO da Brikscom, Cláudio Sá, abriu as discussões trazendo os desafios da conectividade em locais remotos.

- O agronegócio ainda sofre muito com a falta de conectividade, sobretudo de conectividade de qualidade. A Briskcom já fornece internet por satélite para o agronegócio há algum tempo, mas nós percebemos que só o acesso não era suficiente; que o produtor precisava de uma rede local de longo alcance para conectar uma ampla gama de tecnologias que permitirão levar a gestão do agronegócio a um nível superior. Como integradores de tecnologia, nos juntamos à empresa Khomp para fornecer soluções completas utilizando rede local com LTE, LoRa ou ainda conectividade de alto desempenho via satélite, contou Sá.

Na agricultura 4.0, sensores espalhados pelo campo coletam os mais diferentes tipos de dados para alimentar sistemas e aplicações, que, por sua vez, utilizam inteligência para aprimorar processos e facilitar a tomada de decisões pelo produtor. "O produtor busca, em resumo, melhorar toda a eficiência de seu negócio, garantindo a sobrevivência em médio e longo prazos. A transformação digital no campo é um caminho sem volta e a conectividade terá, cada vez mais, um papel importante, na medida em que essas tecnologias se tornarão essenciais para o agronegócio", previu.

Na palestra Muito além da conectividade, Jeremias Silva e Sandro Kirchner, da Khomp, detalharam o trabalho em parceria com a Brikscom na garantia da conectividade. A Khomp foi responsável pela habilitação de uma miniestação meteorológica, - dotada de todas as funções das maiores, - que monitora parâmetros como chuva, vento, temperatura e muitos outros.

- O escopo do projeto Campo Conectado, coordenado pela PUC-Rio, compreende essa estação meteorológica autônoma – de alimentação elétrica por painel solar – para medições de todas as grandezas de solo e clima (com 14 sensores instalados). Por meio de rede LoRa, utilizando gateway da American Tower, os dados coletados são enviados para plataforma e-cloud de outra empresa parceira, a TagoIO, gerando aplicação capaz de medir qualidade e produtividade em diversos tipos de cultura, esclareceu Jeremias Silva.

Imagem da apresentação
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Imagem da apresentação
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Sobre o webinar Pilotos IoT:

Pilotos IoT tem o financiamento do BNDES e das empresas Engie e Vikan. Conta com diversos parceiros que aportam tecnologia nas áreas de Agronegócios e Saúde, a saber: American Tower, BrasilSat, Briskcom, Datora Arqia, Embrapa, Engie, Hispamar, Inmetro, Laura, Mareste, Tim, TSM, Union e Vitai.




Publicada em: 26/05/2021