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Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos

Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento

Por Renata Ratton Assessora de Comunicação - Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos
Pesquisadores do CETUC, em parceria com Inmetro, UNIRIO e UFOP, desenvolvem sistema para dispositivo IoT com sensor oxmetro para uso remoto em pacientes da COVID 19

Inovao busca reduzir presso sobre os hospitais e propicia obteno parmetros clnicos quase em tempo real

Marcelo Balisteri, supervisor de redes do Centro de Estudos em Telecomunicaes, assistia a um canal da TV italiana quando tomou conhecimento da experincia de um mdico que conseguira reduzir o nmero de pacientes a serem atendidos em hospitais, com uma simples ao. Ele deixava sensores de oximetria e temperatura com os suspeitos de COVID19, os orientava sobre a leitura e passava a acompanhar essas leituras pelo telefone. Caso identificasse alterao na saturao de oxignio, de pronto enviava uma ambulncia para a residncia do paciente, a fim de transport-lo para um hospital.

- Fiquei pensando como isso poderia acontecer aqui no Brasil. Com a deficincia do quadro de mdicos e enfermeiros nos hospitais, seria difcil, nesse momento de crise, acompanhar os pacientes em suas residncias. Elaborei, ento, uma soluo envolvendo Internet das Coisas, um sensor de oximetria que pudesse enviar os dados de leitura atravs de uma rede LPWAN, tecnologia de transmisso que tem o propsito de servir a dispositivos de sensoriamento remoto. Escolhi a tecnologia de transmisso LoRaWan por ser de baixssimo custo, ser estudada na Universidade h algum tempo e estar aplicada em outros projetos. Inclusive, essa tecnologia que ser utilizada nos pilotos de Internet das Coisas do BNDES, em que a PUC-Rio est envolvida, informa o supervisor.

Segundo ele, a rede tem baixo consumo de energia e transmite dados a uma distncia de at 5km, em ambiente urbano; “os dados podem ser tratados com algoritmos de inteligncia artificial para dar previsibilidade da necessidade de atendimento de uma pessoa infectada de COVID19”.

Ambiente de desenvolvimento do dispositivo

Balisteri passou um final de semana estudando a possibilidade de desenvolver um sensor de oximetria que pudesse transmitir os dados via rede sem fio utilizando a tecnologia LoRaWan, mas sem a necessidade de que o paciente tivesse uma rede sem fio em casa. Aps ter mapeado os tipos de sensores e todos os seus componentes eletrnicos, e com a possibilidade real de xito no desenvolvimento do sensor, entrou em contato com o pesquisador Carlos Rodrigues, do CETUC e do Inmetro.

- Falei sobre a ideia e sobre a questo dos componentes e de como o sensor poderia funcionar. Dois dias depois, j formvamos um grupo PUC-Rio/Inmetro e comevamos a trabalhar na possibilidade real de desenvolver um sensor de oximetria sem fio utilizando uma rede LoRaWan. Hoje, esse grupo composto por pesquisadores da PUC-Rio, da UNIRIO, do Inmetro e da UFOP de Minas Gerais, informa Balisteri.

O projeto gerado - e agora submetido ao Edital de Seleo Emergencial I, Preveno e Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias, da Capes, sob a coordenao do professor do CETUC Marco Antonio Grivet - tem dois objetivos: desenvolver um sistema que integra um dispositivo com sensor oxmetro e modem LPWAN para uso remoto em casos de surtos epidemiolgicos, com anlise de dados preditiva e estatsticas de dados coletados. E fornecer um guia de construo e configurao para que qualquer pessoa possa construir um dispositivo para ser doado a hospitais pblicos.

- O oxmetro tem sido utilizado para a deteco de muitos problemas de sade e, particularmente, do COVID19. No um aparelho caro, mas importado. A ideia desenvolver um esquema nacional. O sistema desenvolvido permitir que equipes mdicas rastreiem mais facilmente a saturao de oxignio, a temperatura e presso sangunea do paciente quase em tempo real. A ideia que seja uma plataforma open source que vai desde o hardware at o software e aplicativos de visualizao e inteligncia de dados, explica Grivet.

O oxmetro funciona medindo a absoro de diferentes comprimentos de onda da luz, ao passar pela ponta do dedo; a hemoglobina oxigenada exibe maior absoro do que a hemoglobina normal e, portanto, as medies fornecem uma viso dos nveis de hemoglobina oxigenada e, finalmente, do sp02 do paciente (presso parcial de oxignio). Para a maioria dos indivduos, o sp02 medido deve ser superior a 90%; qualquer ndice menor pode indicar que a pessoa no esteja recebendo oxignio adequado.

- No ambiente hospitalar, isso importante porque, ao monitorar pacientes em ventilao e / ou outros pacientes crticos que possam necessitar de ventilao, todos os hospitais pblicos tero equipamentos que podem medir o sp02 desses pacientes; no entanto, atualmente, cabe equipe de enfermagem observar mudanas significativas e entrar em contato com o mdico de planto. Devido natureza da sade pblica, isso no pode ou nem sempre feito em tempo hbil e coloca em risco o paciente. Embora exista equipamento com tcnicas automatizadas de gerao de relatrios, em vrios back-ends de redes sem fio, geralmente caro e requer um nvel de sofisticao tecnolgica e infraestrutura que no vivel na maioria dos hospitais pblicos do Brasil, explica.

A ateno ao problema do COVID se deu pelo fato de Balisteri integrar uma ao de voluntariado na PUC-Rio que consiste na fabricao de protetores faciais impressos nas impressoras 3D do departamento de Artes e Design. “No dia 29 de abril, batemos a marca de 10 mil protetores faciais produzidos e entregues. Esses protetores so doados aos profissionais de sade da rede pblica e privada do Estado do Rio de Janeiro e uma iniciativa que envolve pesquisadores e voluntrios ligados comunidade PUC”.

Balisteri, em meio a doaes de EPIs para mdicos e profissionais de sade, no ltimo dia 29 - Foto: arquivo pessoal



Publicada em: 06/05/2020