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Vice-reitoria para Assuntos Acadêmicos

Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento

Por Renata Ratton Assessora de Comunicação - Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos
Terceiro Seminário de Práticas Inovadoras no Ensino Superior amplia debate na Universidade sobre currículos, metodologias e inserção do corpo docente
Departamento de Artes & Design apresentou modelo adotado

Roberta Portas, Renata Mattos e Jackeline Farbiarz: metodologia projetual de Artes & Design - Foto: Renata Ratton, Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos


“Ainda faz sentido o que fazemos? É uma pergunta retórica, provocativa, é claro que faz sentido o que fazemos, mas, ao mesmo tempo, é necessário perceber que há desafios, há questões complexas que escapam ao nosso controle e a nossa compreensão, e que nos dizem respeito muito de perto”, ponderou o professor da Filosofia Edgar Lyra Netto ao abrir o III Seminário de Práticas Inovadoras do Ensino Superior, realizado na última semana de agosto, no auditório AMEX, IAG.  Retomando aspectos de sua fala, no encontro anterior, o professor teceu considerações sobre o panorama educacional internacional, no Rio de Janeiro, e, mais pontualmente, na PUC, “que levanta essa lebre das novas tecnologias de ensino”.

– Eu discuti os alunos de hoje, suas subjetividades cada vez mais diferenciadas em função dos seus hábitos, rotinas, da interação com os gadgets; a reação dos professores a essas novas subjetividades discentes e como eles mesmos lidam com as novas tecnologias, percebem ou não percebem a importância e a possibilidade de mobilizá-las para fazer frente ao contexto. E então entrei propriamente nas novas tecnologias de ensino, em que chamei atenção – e isso foi até corroborado na parte das perguntas – para o fato de que as tecnologias, por si só, não resolvem o problema, que tudo diz respeito à relação professores, instituição, alunos e tecnologias”, lembrou.

Para Edgar Lyra, o grande desafio não é embarcar a tecnologia na sala de aula, mas comprometer os professores, dentro do possível. O filósofo destacou ainda a necessidade de os professores conhecerem, cada vez mais, os trabalhos em curso na Universidade, lembrando que a apresentação de Artes & Design, programada para o seminário, já tinha esse espírito.

– São ideias, inspirações no sentido de buscar uma proposta formativa tão razoável e sustentável quanto possível, dentro de um cenário que está mudando não só à luz de movimentações societárias, financeiras, fluxos de capitais que estão investindo na educação, e, de alguma maneira, se reagrupando e migrando do ensino superior para o ensino médio, mas também do desenvolvimento muito veloz das chamadas propostas de ensino a distância de pronta-entrega. Isso tudo, de alguma maneira, nos toca, seja do ponto de vista de como elas afetam o segmento básico e o pipeline que alimenta o ensino superior, quanto do ponto de vista da rearrumação das propostas de formação superior.


Edgar Lyra, da Filosofia, relembrou pontos importantes do segundo encontro - Foto: Renata Ratton, Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos


A coordenadora central de graduação, professora Daniela Vargas, destacou outro aspecto abordado no seminário de junho, que diz respeito à necessidade crescente de apoio aos professores na lida com inúmeras questões particulares dos alunos. “Vivemos uma outra realidade, em que o professor assume papeis que, antes, não exercia”.

Quanto à questão de mudanças curriculares, mencionou iniciativas de dentro e fora do Brasil, mais especificamente no âmbito da Critical Edge Alliance, rede que compreende universidades de ponta com perfil educacional progressivo, para a qual a PUC-Rio foi recentemente convidada.

– Reunindo a Universidad de Los Andes (Bogotá, Colômbia), Tata Institute (Mumbai, Índia), The Evergreen State College (Washington, EUA), The New School for Social Research (Nova Iorque, EUA), Roskilde University (Roskilde, Dinamarca), Paris VIII e Al Akhawayn University (Ilfran, Marrocos), a aliança trabalha em torno da ideia de educação crítica. A PUC-Rio busca fazer face a esse desafio e os departamentos precisam conhecer melhor as iniciativas de ensino uns dos outros, em termos de metodologias e práticas inovadoras, observou.

Para a coordenadora, trata-se de buscar exemplos inspiradores e pensar em reformas curriculares. “Neste sentido, o papel da coordenação central é desamarrar os currículos, apoiar as iniciativas inovadoras, sempre olhando as regras do MEC, as diretrizes curriculares, ajudando nesses desenhos. É verificar como podemos ser inovadores dentro das regras.

A coordenadora de educação a distância, professora Gilda Campos, lembrou que o repensar a sala de aula não trata apenas das tecnologias.

– Há a aprendizagem baseada em problemas; há projetos, casos, jogos e oficinas. O que eu quero acrescentar é a questão do cenário do ensino híbrido, que pode congregar diferentes métodos. O ensino híbrido nada mais é do que trabalhar na sala de aula física e com o ensino online, resumiu.

Segundo ela, os pressupostos são o aluno ativo, autor de sua aprendizagem, e a sala de aula como espaço de resolução de problemas, com o suporte e o apoio do ambiente de aprendizagem online. “A ideia é possibilitar, em sala de aula, as mudanças que ocorrem na sociedade em geral, no simples dia a dia”.

Em sua exposição sobre práticas pedagógicas, a coordenadora explicou os modelos de rotação, em que pessoas levam seus próprios equipamentos para a sala de aula; de sala de aula invertida, em que o aluno lê o conteúdo antes e o debate em sala, junto ao professor; de rotação individual, em que o feedback ao aluno é individual. Apresentou também o modelo flex, no qual o aluno recebe uma lista a ser cumprida, com ênfase na aprendizagem online; o modelo à la carte, em que o estudante é responsável pela organização de seu estudo, e o modelo aprimorado virtual, realizado pela escola como um todo. “Na verdade, tudo isso é uma grande discussão sobre novos caminhos para a aprendizagem”, refletiu.


As coordenadoras de graduação e de educação a distância, Daniela Vargas e Gilda Campos, falaram sobre reforma de currículos e práticas pedagógicas - Foto: Renata Ratton, Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos


O modelo de Artes & Design -
As palestras de abertura tiveram sequência em apresentações sobre práticas adotadas no Departamento de Artes & Design. Do departamento, participaram a diretora, professora Jackeline Farbiarz, a coordenadora adjunta da graduação, professora Roberta Portas, e a supervisora da disciplina Projeto Básico – Contexto/Conceito, professora Renata Mattos.

A professora Jackeline Farbiarz, que é também ex-aluna da Universidade, ressaltou a importância da interdisciplinaridade que a PUC proporciona:

– Fui aluna da Universidade, comecei em Letras, cursei também Educação e cheguei em Design. Acho que a interdisciplinaridade é o caminho. A riqueza desse encontro é a percepção de que a gente ocupa espaços diferentes aqui, que a PUC propicia isso para a gente”. Eu pude fazer Letras porque eu era bolsista de um professor de projeto em Design, e era ali que eu tinha verba para pagar a minha graduação. Então, eu não sou designer, eu sou formada em Letras e em Educação, mas estou na direção do Departamento de Artes & Design. Acho que isso fala muito sobre as possibilidades que a Universidade tem.

Jackeline explicou que o departamento está sempre pensando em uma formação para a manutenção das competências básicas que o aluno precisa ter, conjugada com o anúncio de novos caminhos.

– A gente acredita como fundamental, em uma universidade que é comunitária, que tem um olhar social, que pensa a sociedade, entender o quanto o design dialoga em um lugar mercado-indústria, em um lugar mercado-outro conceito (mais atual) de indústria, no lugar da sustentabilidade, e em muitos lugares que a gente precisa ocupar e precisa trabalhar no sentido de desenvolver, de estar junto com o aluno e pensando quais estratégias a gente pode adotar. A gente trabalha num misto. Se a gente é projeto, que é o nosso foco de ensino, existem metodologias de projetar, mas exigem metodologias para se ensinar a projetar. Então, em determinados momentos a gente se autossustenta, em outros, a gente precisa da educação, do direito, da filosofia, da psicologia, sempre atuando no duplo que é estar no mercado fazendo e estar formando alguém para fazer.

A professora Roberta Portas destacou o interesse maior no processo do pensamento que vai resultar no produto que será desenvolvido.

– Queria pontuar que, no Design, a gente está trabalhando para situações complexas, é uma característica da nossa atuação. A gente também percebe o aluno com características múltiplas e precisa colocá-lo em um mercado com características também múltiplas: um profissional que vai trabalhar coletivamente e colaborativamente”, sublinhou. E continuou:

– A tecnologia, que é muito forte para nós, é vista como meio e como fim. Como meio, a gente entende que o lápis, o grafite são uma tecnologia de expressão, de documentação, de representação; a gente está falando também de tecnologias que são máquinas, procedimentos, laboratórios, experimentações, que partem de uma tecnologia de ponta – a ponta do lápis, a ponta da máquina. E da tecnologia de comunicação, de diálogo, de relação. São tecnologias múltiplas e é possível trabalhar com o digital como um repositório, um ambiente virtual ou ainda em um aplicativo para se comunicar com um cliente em outro lugar do mundo.

Para exemplificar a tecnologia como fim, Roberta Portas apresentou um objeto desenvolvido por alunos para auxiliar crianças com espectro autista. Em seguida, a professora explicou a estrutura departamental e a natureza projetual de seus cursos, com enfoque no design social.

Complementando a apresentação, a professora Renata Mattos abordou a primeira disciplina de projeto do curso, Projeto Básico – Contexto/Conceito. Renata Mattos utilizou vídeos produzidos pelos alunos para mostrar como são desafiados a sair da Universidade, a escolher os espaços para desenvolvimento do projeto e a desenvolver produtos que atendam, efetivamente, às necessidades de seu futuro usuário, num processo que envolve teoria, prática e interação. “O design é um encontro, e os processos são baseados nesse encontro”.




Publicada em: 19/09/2018