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Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos

Ensino, Pesquisa e Desenvolvimento

Por Renata Ratton Assessora de Comunicação - Vice-Reitoria para Assuntos Acadêmicos
Os marcos e a Margarida

Quinze anos de realizações, amizades e excelência no Núcleo de Memória da PUC-Rio, sob nova direção

Margarida e as Asas - Foto: Renata Ratton

"A memória não tem dono. O Núcleo de Memória não é dono da memória da PUC-Rio. Desde o início, sua trajetória deve muito ao interesse da Universidade em se conhecer para ser coerente com a sua história, sendo criativa."


“O tempo da memória é o presente e o futuro e a gente não faz memória olhando para trás. A gente se ocupa do passado para ter o olhar mais apetrechado para entender o hoje e lidar com os desafios do amanhã”.

Margarida de Souza Neves sabe, como poucos, destilar, do passado, os ensinamentos e o combustível desse trem bala da vida. Dinâmica, de humor afiado, eloquente, ela é a alma e o coração do Núcleo de Memória da PUC-Rio e está sempre “inventando novidade”. A última foi, após 15 anos, deixar sua direção passando o bastão para o colega e amigo Marco Antonio Villela Pamplona, que encara um baita desafio, porém encontra uma equipe coesa e um sólido legado documental e intelectual.

O Núcleo de Memória foi fundado em 2006, ano em que vários programas de pós-graduação completavam décadas de implantação na PUC-Rio, muitos dos quais pioneiros em suas áreas no Brasil.

– Foi tudo ideia do professor Bergmann (Vice-Reitor para Assuntos Acadêmicos). Nossos programas de pós-graduação ajudaram a formar massa crítica de pesquisadores, mestres e doutores espalhados pelo país e o mundo, gerando, por sua vez, novos quadros. Havia outra motivação: alguns professores começavam a se aposentar e os mais novos, à época, pouco conheciam sobre a história da Universidade. Ele me chamou, eu topei, montamos uma equipe e aqui estamos nós, lembra.

O Núcleo iniciou seus trabalhos como Núcleo de Memória da Pós-Graduação e Pesquisa da PUC-Rio, em função dessas circunstâncias. Seu primeiro objetivo foi fazer um extenso levantamento sobre cada um dos programas de pós-graduação existentes. Entretanto, não passou muito tempo para que se percebesse a necessidade de ampliar sua abrangência, afinal pós-graduação e graduação, na PUC-Rio, estão organicamente ligadas. O Núcleo tornou-se Núcleo de Memória da PUC-Rio, o que, segundo Margarida, é muito mais coerente com a memória do que foi vivido.  O que não mudou foi o que já estava semeado: uma equipe comprometida com a excelência acadêmica em tudo o que faz.


O professor Marco Antonio Pamplona, ao centro,e a professora Margarida, à esquerda, junto a membros da equipe do Núcleo de Memória no evento comemorativo da assinatura do convênio entre a PUC-Rio e o Consortium for Advanced Studies Abroad (CASA). 2018 - Foto: Antônio Albuquerque, acervo Núcleo de Memória da PUC-Rio

– Uma equipe que se quer bem, sabe ser crítica e é movida pela curiosidade intelectual. Que se reúne, todas as semanas, inclusive de modo remoto nesses tempos de pandemia, para a discussão de leituras fundamentais para a identidade e a produção acadêmica do Núcleo. Uma equipe com funções muito claras, que inclui bolsistas de iniciação científica vindos de áreas tão distintas como artes cênicas, direito, ciências sociais ou história, demonstrando a transversalidade do tema. Uma equipe que recebi de presente da vida – orgulha-se a Professora Emérita do Departamento de História.

Não foram poucos os marcos do Núcleo: sua consolidação, em 2010, veio com a celebração dos 70 anos da PUC-Rio através da publicação de um livro, da montagem de uma exposição multimídia no Solar Grandjean de Montigny, plena de inovação, e em muitas outras iniciativas e parcerias como a retomada da publicação dos Anuários; a valorização do acervo de fotos que leva o nome do primeiro docente da Universidade a criar um projeto de Núcleo de Memória, bem como do acervo de fotos de Antônio Albuquerque, que há décadas registra a vida da PUC-Rio; o lançamento do site do Núcleo; a série Crônicas de Memória para o Jornal da PUC, a publicação do livro Igreja do Sagrado Coração de Jesus: Fé, Arte, Memória, em 2017, ou a celebração dos 80 anos da PUC-Rio, em 2020, que, apesar de interrompida pela pandemia, ainda teve tempo de ocupar espaços estratégicos do campus com imagens icônicas de sua história e asas para quem quiser voar.

– Todas essas realizações foram muito importantes, mas acredito que os princípios fundamentais do Núcleo de Memória estejam na vontade de ter a marca da qualidade acadêmica em tudo o que fizermos, por coerência com a vida acadêmica na PUC-Rio; de ter um nexo orgânico constante com a Universidade em todas as suas manifestações, seus setores e práticas; de ter o foco na formação de futuros pesquisadores, esses jovens que tanto oxigenam nosso trabalho, como permitem que se cumpra o objetivo de formar conhecedores; de ter um caráter cada vez mais interdisciplinar no território imenso da memória, sempre polifônica; de ter como espaço privilegiado  o site, onde cadastramos e disponibilizamos memória, e é o principal instrumento de interação com a comunidade e o mundo. Isso dá muito certo porque as pessoas veem nosso cotidiano, um dia a dia que se traduz em registros documentais, crônicas e notícias; de ter muito vivo o compromisso da memória com o social; de ter o entendimento da memória como um campo de tensão entre aspectos aparentemente opostos, define a professora. Para Margarida, a memória é ao mesmo tempo fiel ao acontecido, móvel e essencialmente sinérgica.

– A memória não tem dono. O Núcleo de Memória não é dono da memória da PUC-Rio. Desde o início, sua trajetória deve muito ao interesse da Universidade em se conhecer para ser coerente com a sua história, sendo criativa. Criar, recriar, construir, desconstruir, a partir dos alicerces. Isso é sua função institucional. O Núcleo de Memória sempre contou com a confiança da administração central, dos funcionários, dos professores, de quem, inclusive, recebemos acervos e documentos. E também dos alunos, que usam o acervo do Núcleo em seus trabalhos, visitam o Núcleo, e colaboram como membros da equipe quando são selecionados como bolsistas de iniciação científica.

Feliz pelos 15 anos de descobertas, para Margarida é um privilégio deixar um colega e grande amigo à frente do Núcleo de Memória, “com qualidades intelectuais e pessoais que possibilitarão um salto muito grande para o Núcleo”. Seu desejo é de que a memória faça a PUC-Rio cada vez mais comprometida com a construção de um mundo melhor, no âmbito de sua competência.


Das memórias da PUC, a memória do Núcleo
Das memórias do Núcleo, a memória da PUC


Um novo marco – Para Pamplona, trabalhar no Núcleo é um desafio e tanto. “Depois da Guida, sua fundadora e criadora, é quase impossível fazer melhor, brinca.” Amigo e colega de Margarida Neves desde os anos 1970, Marco Antonio Pamplona, da História, acaba de assumir a direção do Núcleo de Memória trazendo como proposta um foco na inovação, nas muitas transformações que atingiram o campus nos dois últimos anos e suas dinâmicas.

– Tenho testemunhado o quanto a Universidade mudou e continua mudando em ritmo acelerado nos últimos tempos. Desde o início da pandemia, foi necessário reinventarmos muitas coisas. Deu-se uma ampliação das atividades acadêmicas, levando ao trabalho conjunto envolvendo diferentes centros e departamentos da Universidade e ao intercâmbio maior com instituições de ensino e pesquisa, no Brasil e no exterior. Com a maioria das atividades online – o ensino em modo remoto e a cooperação nas redes de pesquisa – a criação de novos cursos e a organização de seminários, simpósios e palestras passou a ser mais frequente. Hoje, uma boa parte dos departamentos e núcleos na tem cursos envolvendo instituições de outros países e promove seminários interdisciplinares que contribuem para acelerar o processo de internacionalização de uma forma antes impensável. Tudo isso é muito interessante de se observar, empolga-se.

Para o professor, é preciso registrar em especial as narrativas daqueles que passaram (e ainda passarão) por essas experiências de mudanças radicais e que precisaram se reinventar muito rapidamente nesses anos de pandemia:

– Toda a comunidade universitária – alunos, funcionários, docentes e pesquisadores, e os quadros administrativos na Universidade – vivenciou inúmeros impasses e desafios com o advento da Covid-19. Com mais adversidades alguns, com menos outros, todos foram instados a mudar de imediato, em meio a um cenário extremamente hostil e perigoso que não passou ainda, observa.

Uma de suas propostas, quando aceitou a direção do Núcleo, foi justamente a de fazer a memória dessas experiências dos anos da pandemia, a partir das diferentes vozes e lugares de fala daqueles muitos que constituem a comunidade da PUC. A ideia é que essas narrativas, longe de buscarem ser uma história oficial, representem um importante registro para as próximas gerações, um legado variado de experiências e visões que as ajude a entender, um dia, o que foi esse momento – “muito difícil e desafiador, mas, ao mesmo tempo, de reinvenção e criação”.

– Tendo observado a Universidade ao longo de décadas, com seus vários altos e baixos, percebo, nesse momento atual, uma espécie de salto quântico diante da pandemia. Os que já pensavam ser preciso fazer coisas diferentes agora deixaram de ter dúvidas. A necessidade de reinvenção pareceu ser de todos. A pandemia impôs um caminho novo e sem alternativas, ainda que com todas as dificuldades e limitações esperadas. Nós, docentes tivemos que adaptar rapidamente as nossas aulas, ajustando-as à nova forma de comunicação via telinha, à quase soberana plataforma que agora parece querer ditar seu modo de falar e transmitir informação. Para quem estava acostumado ao gestual e ao olho no olho nas aulas presenciais, isso pareceu muito limitante. No início, tanto alunos como professores se incomodaram, mas decidiram enfrentar juntos as dificuldades. Descobriram, também juntos, como isso podia permitir a ampliação de informações, das trocas, dar lugar a novas dinâmicas do aprender e ensinar, que provaram ser e continuarão sendo muito importantes.

Pamplona cita como exemplos dessas inovações o trabalho da Coordenação Central de Educação a Distância no apoio aos professores e alunos para a adaptação de conteúdos, implantação das plataformas e sua utilização. Menciona também a atuação dos diferentes núcleos interdisciplinares que já existiam na PUC – o NIREMA e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares Ibero-americanos – que ampliaram o escopo de suas ações na Universidade, promovendo o diálogo interdepartamental e criando cursos de Pós-Graduação em parceria e projetos de pesquisa integrados.

– Um ano de atividades totalmente online resultou num aprendizado bastante exaustivo, não há dúvida, porém muito importante. Permitiu-nos criar outras proximidades. Vários espaços, na Universidade, como é o caso do Instituto de Humanidades que ganhou um inegável protagonismo, contribuíram para aumentar a sinergia entre o Centro de Ciências Sociais e o Centro de Teologia e Ciências Humanas. O desenvolvimento de projetos coletivos e a proposta de cursos que permitam à comunidade PUC dialogar mais com a sociedade contribuirão para a busca de soluções inovadoras e de novas formas de lidar com o momento atual, conclui o novo diretor.




Publicada em: 11/05/2021